País
Regresso às aulas do ensino básico marcado pela falta de professores
A falta de professores volta a marcar o arranque do novo ano letivo. O ministro da Educação admite que o sistema de colocação de professores é muito lento.
Esta segunda-feira marca o regresso às aulas para os alunos do ensino básico. O novo ano letivo arranca, mais uma vez, com falta de professores.
José Feliciano Costa, secretário-geral da Fenprof, afirma que há mais de 100 mil alunos a quem vai faltar pelo menos um professor, sendo quatro mil do primeiro ciclo.
Apesar de terem sido colocados cerca de 20 mil professores, há muitos horários por preencher. Para além disso, mais de dois mil professores meteram baixa na última semana.
A Fenprof e a Federação Nacional da Educação (FNE) garantem que o número não é excecional e está em linha com o que acontece noutras profissões e justificam com o corpo docente mais envelhecido da União Europeia.
O secretário-geral da FNE, Pedro Barreiro, acusa o ministro da Educação de estar e encontrar nas baixas “uma tentativa de desculpabilização” e pede mais mecanismos e um robustecimento do sistema, de forma a tornar a profissão mais atrativa.
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, admite que o sistema de colocação de professores é muito lento, mas garante que a partir de sexta-feira será possível fazer colocações diárias para substituir os mais de dois mil professores que meteram baixa.
Lisboa, Setúbal e Algarve as regiões onde há mais horários por preencher. Só em Lisboa há 80 turmas do primeiro ciclo sem docentes. Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores das Escolas Públicas, diz que a falta de professores na capital pode estar relacionado com o custo de vida e sugere que a Câmara de Lisboa siga o exemplo de Oeiras e arranje casas para que os professores deslocados possam ter uma renda acessível.
Alunos sem vaga
Outra das dificuldades sentidas no arranque deste ano letivo é o facto de muitos alunos estarem ainda sem vaga nas escolas. Há casos de escolas que não estão a aceitar alunos porque não têm capacidade.
O ministro da Educação considera que a situação é "gravíssima" e garante que vai ser investigada.
A Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE) já procedeu à colocação administrativa de alguns alunos e investiga casos em que escolas terão recusado alunos com vagas disponíveis, situação classificada pelo ministro como "irregularidade gravíssima".
O presidente da Associação Nacional de Diretores de Escolas Públicas acredita que pedidos de transferência tardios de alunos vindo do ensino privado podem ajudar a justificar os números de crianças que não foram colocadas.
Filinto Lima diz estar confiante de que essas situações se vão resolver nos próximos dias.
Neste primeiro dia de aulas para o ensino básico, o ministro da Educação está em Arganil para inaugurar duas escolas requalificadas e modernizadas.